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Sem programação oficial, feirantes se reúnem para comemorar 399 anos do Ver-o-Peso, em Belém

Feirantes se reúnem para comemorar aniversário do Ver-o-Peso, em Belém Nesta sexta-feira (27), data em que o Mercado do Ver-o-Peso completa 399 anos, feirant...

Sem programação oficial, feirantes se reúnem para comemorar 399 anos do Ver-o-Peso, em Belém
Sem programação oficial, feirantes se reúnem para comemorar 399 anos do Ver-o-Peso, em Belém (Foto: Reprodução)

Feirantes se reúnem para comemorar aniversário do Ver-o-Peso, em Belém Nesta sexta-feira (27), data em que o Mercado do Ver-o-Peso completa 399 anos, feirantes realizaram uma festa simbólica sem programação oficial da prefeitura. Considerado a maior feira livre da América Latina, o espaço é um complexo arquitetônico e paisagístico de 25 mil metros quadrados, tombado como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os trabalhadores prepararam um bolo de aniversário, cantaram parabéns no Mercado de Carnes e representaram todos os setores do complexo, em uma homenagem simples organizada pelo Instituto Ver-o-Peso. O presidente do instituto, Manoel Rendeiro, conhecido como "Didi", destacou que a celebração reforça a união dos trabalhadores que mantêm viva a tradição do local. O complexo, revitalizado em 90%, segue como coração cultural e econômico de Belém. Didi explicou que a data de fundação foi identificada há 25 anos com ajuda de uma historiadora e o instituto existe desde então para preservar a memória, quando também os feirantes passaram a comemorar o aniversário do mercado. Uma programação oficial tinha sido anunciada pela prefeitura de Belém na véspera do aniversário, mas o evento foi cancelado. Ver-o-Peso completa 399 anos e celebra história e cultura em Belém Luta por patrimônio imaterial Neste ano, o principal pleito dos feirantes é o reconhecimento das atividades centenárias como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, além da estrutura já tombada. Atividades como venda de açaí, pescado, hortifrúti, refeições, castanha e frutos regionais existem há mais de 400 anos e precisam ser valorizadas, argumenta Didi, que marcou reunião com o Iphan e planeja pressionar governo estadual e prefeitura. "Não adianta só a estrutura ser patrimônio sem os trabalhadores que fazem ele funcionar", afirmou Didi em entrevista ao g1. Símbolo da identidade paraense Imagem antiga do Mercado do Ver-O-Peso, em Belém. Álbum descritivo do Estado do Pará do ano de 1898. O Ver-o-Peso é cartão-postal de Belém, reunindo tradição, sabores e histórias na capital paraense. Ele teve a inauguração em 1625 no antigo Porto do Pirí, a Casa de “Haver o Peso”, que começou como posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos, evoluindo para o grande mercado aberto que conhecemos hoje. No século XVIII, Belém se firmou como o maior entreposto comercial da região amazônica, centralizando o fluxo de produtos da floresta, como drogas do sertão, destinados a mercados locais e internacionais, além de receber bens europeus. Esse intenso movimento comercial originou o Ver-o-Peso, tombado pelo Iphan em 1977 como conjunto arquitetônico e paisagístico. ​Ao longo dos séculos, o complexo passou por adaptações, especialmente na Belle Époque, período cosmopolita do fim do século XIX até a Primeira Guerra Mundial. Reformas incluíram a construção do Mercado de Ferro (ou de Peixe), iniciado em 1899 sob influência europeia dos engenheiros Bento Miranda e Raymundo Vianna, e o Mercado Francisco Bolonha (de Carne), ambos inaugurados em 1901. Banca de polpas no Ver-o-peso. Juliana Bessa / g1 O Mercado de Ferro destaca-se pela estrutura de ferro importada da Europa, cobertura em telha Marselha e torres art nouveau com escamas de zinco no sistema Vieille-Montagne, consolidando o Ver-o-Peso como a maior feira livre da América Latina. O complexo se estende por 25 mil m², abrangendo o Boulevard Castilhos França, Mercados de Carne e Peixe, casario, praças do Relógio e Dom Pedro II, doca de embarcações, Feira do Açaí e Ladeira do Castelo. Além do comércio, é um polo de vida social e intercâmbio cultural, onde práticas tradicionais dos feirantes tecem relações simbólicas e econômicas. Vista aérea do mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), que será sede da COP30 em novembro. Anderson Coelho/AFP VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará