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Salmões expostos à cocaína nadam até 90% mais que o normal, aponta estudo inédito

Estudo rastreou 105 salmões jovens do Atlântico em lago na Suécia e revelou que poluição por cocaína mudou como os peixes se movem pelo ambiente. Jörgen...

Salmões expostos à cocaína nadam até 90% mais que o normal, aponta estudo inédito
Salmões expostos à cocaína nadam até 90% mais que o normal, aponta estudo inédito (Foto: Reprodução)

Estudo rastreou 105 salmões jovens do Atlântico em lago na Suécia e revelou que poluição por cocaína mudou como os peixes se movem pelo ambiente. Jörgen Wiklund A cocaína já foi encontrada em rios e mares no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. Agora, um estudo internacional mostra que esse tipo de poluição não só está presente na água — como já está mudando o comportamento de animais na natureza. Pela primeira vez em condições reais, cientistas acompanharam salmões em um lago na Suécia e observaram que peixes expostos à droga passaram a nadar mais e se espalhar por áreas maiores. O trabalho foi publicado na revista científica "Current Biology". 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A pesquisa monitorou 105 salmões jovens durante oito semanas. Parte deles foi exposta à cocaína, outra a uma substância formada quando o corpo humano quebra a droga — a benzoylecgonina — e um terceiro grupo não recebeu nenhuma exposição. Os resultados indicam que os peixes expostos ao derivado da cocaína nadaram até 1,9 vez mais por semana — o equivalente a cerca de 90% a mais — e chegaram a se dispersar até 12,3 quilômetros além dos demais Na prática, isso significa que esses animais passam a circular mais pelo ambiente, o que pode mudar desde a forma como se alimentam até o risco de serem predados. “Para onde os peixes vão determina o que eles comem, quem os come e como as populações são estruturadas”, explicou o pesquisador Marcus Michelangeli, um dos autores do estudo. “Se a poluição está mudando esses padrões, ela pode afetar os ecossistemas de formas que ainda estamos começando a entender.” Salmões jovens expostos à cocaína e a seu principal resíduo nadaram distâncias significativamente maiores do que o normal, revelou pesquisa inédita. Roger Tabor/USFWS Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi que o efeito mais forte não veio da cocaína em si, mas da benzoylecgonina, substância comum no esgoto e frequentemente encontrada em rios. Os peixes expostos a esse composto foram os que mais nadaram e se afastaram do ponto inicial. E isso acende um alerta para a forma como o risco ambiental é avaliado. Hoje, muitos estudos focam na droga original, mas deixam de lado substâncias derivadas que continuam ativas no ambiente — e, como mostra o trabalho, podem ter impacto ainda maior. A presença de cocaína na água não está ligada a descarte direto, mas ao consumo humano. Depois de ingerida, a droga é parcialmente eliminada pelo corpo e segue para o sistema de esgoto. Como as estações de tratamento nem sempre conseguem remover completamente esses compostos, eles acabam chegando a rios e lagos. Os pesquisadores destacam, contudo, que não há evidência de risco para quem consome peixe. As concentrações analisadas refletem níveis já encontrados em ambientes poluídos, e os animais estudados ainda eram jovens, abaixo do tamanho permitido para pesca. Ainda assim, os impactos de longo prazo permanecem incertos. Os cientistas querem entender se o aumento na atividade pode fazer os peixes gastarem mais energia, se ficam mais expostos a predadores ou se isso afeta a reprodução. Por enquanto, a principal conclusão é que substâncias associadas ao dia a dia humano já estão interferindo no comportamento da vida selvagem, muitas vezes de forma invisível, mas potencialmente relevante para o equilíbrio dos ecossistemas. LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Papagaio 'brigão' com deficiência vira líder de seu grupo com técnica inédita