cover
Tocando Agora:

Oceanos se aproximam de recorde de calor em maio, antes do retorno do El Niño

Veleiro no Oceano Mediterrâneo, a partir de Roquebrune-Cap-Martin, no sudeste da França, em 9 de abril de 2026 VALERY HACHE / AFP Os oceanos caminham para um ...

Oceanos se aproximam de recorde de calor em maio, antes do retorno do El Niño
Oceanos se aproximam de recorde de calor em maio, antes do retorno do El Niño (Foto: Reprodução)

Veleiro no Oceano Mediterrâneo, a partir de Roquebrune-Cap-Martin, no sudeste da França, em 9 de abril de 2026 VALERY HACHE / AFP Os oceanos caminham para um recorde de temperaturas em maio, justamente quando se vislumbra o forte retorno do fenômeno El Niño, alertou nesta sexta-feira (8) o observatório climático europeu Copernicus. As temperaturas médias na superfície dos mares, excluindo as regiões polares, chegaram em abril perto do recorde absoluto de 2024, segundo o relatório mensal do observatório. "É apenas questão de dias até que voltemos a registrar temperaturas recordes na superfície dos mares" para um mês de maio, assegurou à AFP Samantha Burgess, responsável estratégica de clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, do qual o Copernicus faz parte. Na média global, março costuma ser o mês mais quente nos oceanos. Ondas de calor marinhas recordes atravessam uma vasta região que se estende desde o centro do Pacífico equatorial até a costa oeste dos Estados Unidos e do México. El Niño é uma das fases do ciclo natural do oceano Pacífico, que costuma começar na primavera no hemisfério norte e afeta progressivamente, nos meses seguintes, as temperaturas, os ventos e o clima no restante do mundo. Para algumas regiões, isso se traduz em secas, como na Indonésia. Outras, como o Peru, terão de se preparar para chuvas torrenciais. O último episódio data de 2023-2024. A Organização Meteorológica Mundial advertiu que, embora persistam incertezas, o retorno de El Niño é cada vez mais provável de maio a julho, enquanto o fenômeno inverso, La Niña, vai se atenuando. As previsões são baseadas nas temperaturas observadas em uma zona do Pacífico. Vídeos em alta no g1 2027 recorde? O problema é que o El Niño, embora surja de forma natural e regular, soma-se ao aquecimento global causado pelas atividades humanas que desencadearam o efeito estufa. Algumas agências meteorológicas preveem que o próximo El Niño será mais forte do que o de três anos atrás, a ponto de concorrer com o "Super El Niño" registrado entre 1997 e 1998. O efeito sobre a temperatura média do planeta é geralmente observado no ano seguinte ao seu aparecimento, o que faz temer um ano de 2027 muito quente. Zeke Hausfather, meteorologista do instituto independente Berkeley Earth, projeta que 2027 superará o recorde anual de 2024. Burgess, do Copernicus, considera que é cedo para prever com certeza a intensidade do fenômeno, já que as previsões feitas na primavera ainda não são muito confiáveis. Mas concorda que este El Niño não passará despercebido e considera "provável que 2027 supere 2024 e se torne o ano mais quente já registrado". Em seu boletim mensal, o Copernicus confirma ainda que o gelo marinho do Ártico se recuperou pouco no inverno no hemisfério norte, com superfícies próximas aos níveis mais baixos da história. Se somarmos oceanos e continentes, abril de 2026 ocupa o terceiro lugar entre os meses de abril mais quentes já registrados em escala global. Abril também foi marcado por diversos fenômenos meteorológicos extremos: ciclones tropicais no Pacífico, inundações devastadoras no Oriente Médio e na Ásia, assim como secas no sul da África.