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Milton Hatoum toma posse na ABL como o primeiro acadêmico amazonense da história

Milton Hatoum toma posse na ABL como o primeiro acadêmico amazonense da história. Reprodução/TV Globo O mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras (...

Milton Hatoum toma posse na ABL como o primeiro acadêmico amazonense da história
Milton Hatoum toma posse na ABL como o primeiro acadêmico amazonense da história (Foto: Reprodução)

Milton Hatoum toma posse na ABL como o primeiro acadêmico amazonense da história. Reprodução/TV Globo O mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) chegou ovacionado. Sob uma recepção calorosa que ecoou pelos salões da instituição, no Rio de Janeiro, o escritor Milton Hatoum tomou posse nesta noite. O registro torna-se histórico: Hatoum é o primeiro amazonense a ocupar uma cadeira na ABL. "Eu fico muito grato a todos da academia que me elegeram. Mas é uma homenagem sobretudo aos leitores, às minhas leitoras, aos professores e professoras não só da Amazônia, mas de todo o Brasil; são pessoas que trabalharam e trabalham com os meus livros", afirmou o escritor. Trajetória e obra Nascido em Manaus, em 1952, Milton Hatoum é jornalista e arquiteto de formação, além de ter atuado como professor universitário e tradutor. Filho de imigrantes libaneses, ele viveu em diferentes países e cidades, mas transformou as origens e o cenário amazônico na marca principal de sua literatura. Para o presidente da ABL, Merval Pereira, a origem do autor reforça sua relevância. "O fato de ele ser amazonense acrescenta ainda mais a importância dele para a literatura. É uma literatura que busca explicar a sociedade brasileira", destacou. A obra de Hatoum ganhou projeção nacional ainda na década de 80, com o livro "Relato de um Certo Oriente", que ganhou uma versão cinematográfica em 2024. Ao longo da carreira, o autor venceu três vezes o Prêmio Jabuti. Um de seus maiores sucessos, o romance "Dois Irmãos", foi adaptado como minissérie pela Globo em 2017. Ao todo, o escritor soma mais de 500 mil exemplares vendidos em todo o mundo. A chegada de Hatoum foi celebrada por seus novos colegas de academia. O imortal Ailton Krenak descreveu o momento como um "maravilhamento". "É alguém que, ao mesmo tempo, vem desse universo chamado Amazônia, mas ele traz consigo o mundo", disse Krenak. Gilberto Gil também exaltou as "interseções" presentes nos textos do autor. "É tão maravilhoso, né, porque é alguém que, ao mesmo tempo, vem desse universo chamado Amazônia, mas ele traz consigo o mundo, né?". A imortal Ana Maria Machado revelou que o primeiro convite para Hatoum se candidatar foi feito há mais de uma década. "Pois não é que ele levou dez anos pensando [em se candidatar]?" [Ele] tem uma obra significativa e que tem muito a dizer pra nós", completou. Milton Hatoum passa a ocupar a cadeira de número seis, que estava vaga desde a morte do jornalista Cícero Sandroni, ocorrida no ano passado. Hatoum estudou sempre em escolas e universidades públicas e no discurso de posso fez questão de homenagear seus mestres. "Às professoras e aos professores que formaram e continuam a formar leitores críticos (...) É uma alegria para sempre, a alegria do conhecimento", como escreveu o poeta Drummond. Muito obrigado!", disse.