Juiz rejeita ação de Trump que pedia US$ 10 bilhões por reportagem sobre ligação com Epstein
Trump pede que Justiça americana divulgue mais informações sobre caso Epstein A Justiça dos EUA rejeitou nesta segunda-feira (13) a ação do presidente Don...
Trump pede que Justiça americana divulgue mais informações sobre caso Epstein A Justiça dos EUA rejeitou nesta segunda-feira (13) a ação do presidente Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal. Trump processou os proprietários do jornal e dois repórteres por difamação, pedindo US$ 10 bilhões por uma reportagem que afirma que ele enviou ao financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein uma carta com conteúdo sugestivo e um desenho de uma mulher nua. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Jeffrey Epstein: quem foi, quais crimes cometeu e qual a associação com Trump O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos EUA em Miami, afirmou que Trump não conseguiu demonstrar que a reportagem foi publicada com intenção maliciosa, mas autorizou o presidente a apresentar uma versão revisada da ação até 27 de abril. Segundo ele, Trump não chegou nem perto de cumprir o padrão de “dolo específico” exigido em casos de difamação envolvendo figuras públicas. Esse critério exige provar não apenas que uma declaração é falsa, mas também que foi feita com conhecimento de sua falsidade. "Esta reclamação não chega nem perto desse padrão", escreveu Gayles, segundo a Reuters. "Muito pelo contrário." Mensagens revelam detalhes da relação entre Trump e Jeffrey Epstein, acusado de exploração sexual Reprodução/TV Globo O juiz também afirmou que o Wall Street Journal entrou em contato com Trump para obter um comentário prévio e publicou sua negação, segundo a Reuters. Isso permitiu que os leitores decidissem por si mesmos a que conclusões chegariamcontrariando a alegação de Trump de que o jornal agiu com dolo, segundo o juiz. O juiz, contudo, não comentou sobre a veracidade dos fatos. “Se o presidente Trump foi o autor da carta ou amigo de Epstein são questões de fato que não podem ser determinadas neste estágio do processo”, afirmou, de acordo com a agência de notícias Associated Press. Em uma publicação na rede social Truth Social, nesta segunda-feira (13), algumas horas após a decisão, Trump afirmou que a medida “não é um encerramento”, mas sim uma “sugestão de reapresentação” de seu “caso poderoso”, o que, segundo ele, será feito “até 27 de abril”. Um porta-voz da Dow Jones, empresa controladora do Wall Street Journal, afirmou em comunicado, segundo a Reuters: "Estamos satisfeitos com a decisão do juiz de rejeitar esta queixa. Mantemos nossa posição quanto à confiabilidade, no rigor e na precisão das reportagens do Wall Street Journal ." O que dizia a reportagem A reportagem publicada em setembro de 2025 afirma que Trump enviou a carta para Epstein em 2003. O jornal diz que a correspondência fazia parte de um álbum comemorativo produzido por Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, para celebrar os 50 anos dele — anos antes de o bilionário ser preso por abuso sexual de menores. A carta atribuída ao atual presidente inclui uma mensagem datilografada dentro da silhueta de uma mulher nua desenhada à mão. A assinatura “Donald” aparece abaixo da cintura da figura. O texto termina com a frase: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo”. Ainda segundo a reportagem, a suposta carta de Trump apresenta um diálogo fictício entre ele e Epstein, escrito em terceira pessoa. Veja a seguir o trecho divulgado pelo WSJ: Narrador: Deve haver mais na vida do que ter tudo. Donald: Sim, existe, mas não vou te dizer o que é. Jeffrey: Nem eu, já que também sei o que é. Donald: Temos certas coisas em comum, Jeffrey. Jeffrey: É verdade, pensando bem. Donald: Enigmas nunca envelhecem, você já notou? Jeffrey: Na verdade, isso ficou claro para mim da última vez que te vi. Donald: Um amigo é uma coisa maravilhosa. Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo. Ao jornal, Trump negou ter escrito a carta ou desenhado uma mulher nua: "Nunca pintei um quadro na minha vida. Não desenho mulheres", disse. "Não é a minha linguagem. Não são as minhas palavras." O Wall Street Journal afirmou que teve acesso ao suposto conteúdo do álbum, que teria sido analisado por investigadores do Departamento de Justiça anos atrás. O jornal não soube informar se as páginas foram revisadas durante o governo Trump. Veja mais: Trump nega que montagem de IA publicada por ele o retrava como Jesus: 'Era como médico' 'Não tenho medo do governo Trump', diz papa Leão XIV após críticas do presidente dos EUA