Irã reitera ter 'controle total' sobre Ormuz e ameaça atacar navios dos EUA em plano de Trump de guiar navios pelo canal
Trump diz que EUA vão ajudar navios a cruzar o Estreito de Ormuz perto do Irã O comando das Forças Armadas do Irã afirmou nesta segunda-feira (4) que manter...
Trump diz que EUA vão ajudar navios a cruzar o Estreito de Ormuz perto do Irã O comando das Forças Armadas do Irã afirmou nesta segunda-feira (4) que manterá "controle total" sobre a segurança no Estreito de Ormuz e fez um alerta a forças estrangeiras, especialmente aos Estados Unidos, sobre qualquer tentativa de aproximação sem coordenação prévia. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo comunicado do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya divulgado pela agência estatal Fars, o comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi disse que o Irã tem reiterado que a segurança da estratégica via marítima está sob responsabilidade das forças armadas do país. Abdollahi acrescentou que a passagem segura de qualquer embarcação deve ser coordenada com os militares iranianos. A fala ocorreu após Donald Trump anunciar que os Estados Unidos vão guiar em segurança navios presos no Estreito de Ormuz a partir da manhã desta segunda-feira (4), no horário do Oriente Médio. Abdollahi também acusou os EUA de colocarem em risco a segurança do comércio global ao atuar em águas internacionais e disse que atacará navios militares norte-americanos que se aproximarem do Estreito de Ormuz. “Advertimos que qualquer força armada estrangeira —especialmente o agressivo Exército dos EUA— se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada”, disse Abdollahi. O militar também advertiu que embarcações comerciais e petroleiros devem evitar navegar pelo estreito sem comunicação prévia com as forças iranianas, sob risco de terem sua segurança comprometida. Em tom mais incisivo, declarou que qualquer força estrangeira, “especialmente o exército americano”, que tente se aproximar ou entrar na região poderá ser alvo de ação militar. Navios e embarcações no Estreito de Ormuz, em Musandam, Omã, em 1º de maio de 2026. Stringer / Reuters Por fim, a autoridade iraniana afirmou que uma eventual escalada por parte dos Estados Unidos apenas agravaria a situação e colocaria em risco a navegação na região, reforçando que o país está preparado para reagir a qualquer cenário. Mais cedo, a agência britânica de comércio marítimo (UKMTO) alertou que o nível de ameaça à segurança marítima no Estreito de Ormuz permanece crítico devido às operações militares regionais em curso. A agência informou que os navios são aconselhados a coordenar com as autoridades omanitas através de um canal de rádio específico. Além disso, a UKMTO orientou que as embarcações consideram a possibilidade de navegar pelas águas territoriais de Omã, onde os EUA teriam estabelecido uma zona de segurança reforçada. Vídeos em alta no g1 Ação americana em Ormuz O presidente americano, Donald Trump, disse que os Estados Unidos vão guiar em segurança navios presos no Estreito de Ormuz a partir da manhã desta segunda-feira, no horário do Oriente Médio. Trump afirmou que a ação anunciada será destinada a navios de países que não estão envolvidos na guerra no Oriente Médio, mas não citou nenhuma nação especificamente. "Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente", escreveu em sua rede social, a Truth Social. Trump recebe astronautas da Artemis II no Salão Oval da Casa Branca Reuters/Evelyn Hockstein "Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito com segurança", afirmou. Chamada pelo presidente de "Projeto Liberdade", o republicano justificou que a operação tem o objetivo de libertar pessoas, empresas e países que seriam "vítimas das circunstâncias" do bloqueio na passagem. "Se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá que ser combatida com firmeza", alertou ao final da mensagem. A publicação de Trump vem após o Irã, ainda neste domingo, ter afirmado que recebeu uma resposta dos EUA à sua mais recente proposta de negociações de paz. A mídia estatal iraniana informou que Washington enviou sua resposta à proposta de 14 pontos de Teerã por meio do Paquistão e que o conteúdo está em análise. Não houve confirmação imediata por parte dos EUA nem de Islamabad. No sábado (2), o presidente disse que ainda não havia analisado o texto da proposta de paz iraniana, mas que provavelmente a rejeitaria. Estreito de Ormuz ainda fechado Estados Unidos e Israel suspenderam a campanha de bombardeios contra o Irã há quatro semanas, e autoridades dos dois países realizaram uma rodada de negociações. No entanto, as tentativas de organizar novos encontros fracassaram até agora. O Irã apresentou sua proposta mais recente na quinta-feira (29), e um alto funcionário confirmou no sábado que Teerã pretende encerrar a guerra e resolver o impasse marítimo primeiro, deixando para depois as negociações sobre o programa nuclear. Embora tenha dito inicialmente, na sexta-feira, que não estava satisfeito com a proposta iraniana, Trump afirmou no sábado que ainda a analisava. “Eles me falaram sobre o conceito do acordo. Agora vão me dar o texto exato”, afirmou a repórteres. Questionado se poderia retomar ataques contra o Irã, Trump disse: “Não quero dizer isso. Não posso dizer isso a um repórter. Se eles se comportarem mal, se fizerem algo ruim, vamos ver. Mas é uma possibilidade.” O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima para o escoamento do petróleo do Oriente Médio (veja infográfico abaixo). Localizada entre Omã e o Irã, a passagem é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1