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Irã adverte estudantes a não ultrapassarem 'limites' nos novos protestos

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS O Ir...

Irã adverte estudantes a não ultrapassarem 'limites' nos novos protestos
Irã adverte estudantes a não ultrapassarem 'limites' nos novos protestos (Foto: Reprodução)

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS O Irã alertou os estudantes que retomaram os protestos na segunda-feira (23) que existem "limites", enquanto o país enfrenta a ameaça de uma intervenção militar dos Estados Unidos devido à repressão aos protestos e ao seu programa nuclear. O novo semestre estudantil começou no sábado (21) com manifestações a favor e contra o governo, segundo a imprensa local. Eles "têm, naturalmente, o direito de se manifestar", declarou a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani. Mas há "limites que devemos proteger e não ultrapassar ou desviar, nem mesmo no auge da indignação", afirmou, citando "coisas sagradas", como "a bandeira" da república islâmica. Vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram universitários de Teerã queimando a bandeira adotada após a revolução de 1979, que derrubou a monarquia. Entre as palavras de ordem estava "morte ao ditador", em alusão ao guia supremo, Ali Khamenei. EUA confirmam nova negociação com o Irã esta semana na Suíça Essas concentrações, que segundo algumas fontes derivaram em confrontos entre opositores e partidários do poder, abalam um país ainda chocado com as manifestações das últimas semanas. As marchas começaram no final de dezembro com manifestações contra a crise econômica em um país duramente atingido por sanções, mas os protestos evoluíram para um movimento mais amplo contra o governo, até serem violentamente reprimidos. Prisões continuam "As autoridades continuam aterrorizando a população", afirmou Bahar Saba, pesquisadora da Human Rights Watch, em um relatório publicado nesta terça-feira (24). "As prisões continuam e os detidos enfrentam tortura, confissões forçadas e execuções secretas, sumárias e arbitrárias", acrescentou. Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. Redes sociais via Reuters Um morador de Teerã disse a um jornalista da AFP no exterior que não acredita que os protestos nos campi universitários se espalhem para além das principais universidades, porque "a maioria das pessoas continua aterrorizada pela brutalidade do regime". O presidente americano, Donald Trump, tem ameaçado bombardear o Irã novamente, após a guerra de junho de 2025 desencadeada por Israel, na qual Washington atacou instalações nucleares iranianas. Trump ordenou a mobilização de um dispositivo militar e naval na região, enviando o porta-aviões Abraham Lincoln ao Oriente Médio. O maior porta-aviões do mundo, o Gerald R. Ford, navega pelo Mediterrâneo e encontra-se atualmente em uma base em Creta, na Grécia. É incomum que dois navios desse tipo, que transportam dezenas de aviões de combate e são tripulados por milhares de militares, estejam ao mesmo tempo em uma mesma região. Negociações sob pressão dos EUA Na última quinta-feira (19), Trump declarou que havia estabelecido um prazo de entre dez e quinze dias para decidir se recorreria à força contra Teerã. Nesta segunda-feira, Trump desmentiu informações da imprensa que afirmavam que o chefe do Estado-Maior americano, o general Dan Caine, teria alertado contra uma intervenção militar de grande magnitude no Irã. Nesse contexto, as negociações continuam. Está previsto um novo ciclo de diálogos em Genebra com mediação de Omã na quinta-feira (26). Os Estados Unidos exigem um acordo que impeça Teerã de se armar com bombas nucleares, como acusam os ocidentais, embora o Irã afirme que busca um programa com fins civis. O Irã alertou que responderia "ferozmente" a qualquer ataque americano, ainda que limitado, e alertou para o risco de uma "escalada" regional caso Washington opte por uma ação militar. Diante das "ameaças", a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, iniciou manobras militares nas costas do Golfo.