Homem de 31 anos morre dias após injeção aplicada em farmácia no Acre; caso é investigado
Maiko Oliveira França, de 31 anos, morreu após infecção depois de aplicar medicamento em farmácia no Acre Arquivo pessoal Maiko Oliveira França, de 31 ano...
Maiko Oliveira França, de 31 anos, morreu após infecção depois de aplicar medicamento em farmácia no Acre Arquivo pessoal Maiko Oliveira França, de 31 anos, morreu após apresentar complicações graves nos dias seguintes à aplicação de uma medicação injetável em uma farmácia de Tarauacá, no interior do Acre. A morte do homem ocorreu no último domingo (22) e é investigado pelo Ministério Público do Estado (MP-AC) e pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC). (Veja mais detalhes abaixo) Segundo a família, Maiko procurou o estabelecimento no dia 18 deste mês após sentir tonturas. No local, ele teria pedido orientação sobre qual medicamento tomar e, após recomendação de uma atendente, recebeu uma injeção intramuscular aplicada na região do glúteo. O g1 entrou em contato com a drogaria e aguarda retorno. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp De acordo com relatos de familiares, a aplicação foi feita por uma mulher que seria filha dos proprietários da farmácia. A medicação teria sido administrada mesmo após o paciente demonstrar hesitação inicial. “Ele perguntou qual era o remédio bom para tontura. Ela disse que era bom ele tomar um coquetel. Ele até disse que não ia tomar, mas ela insistiu e acabou aplicando nele”, contou ao g1 Raimunda Cristiana, de 32 anos, prima da vítima. Médico explica o que é e o que pode causar uma infecção generalizada Nos dias seguintes, o quadro de saúde de Maiko piorou. Ele voltou à farmácia no dia 19 com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico. Já no dia 20, apresentou agravamento dos sintomas, incluindo hematomas e dor intensa, e procurou atendimento médico no hospital da cidade. Ainda conforme a família, profissionais de saúde apontaram possível erro na aplicação, indicando que o medicamento deveria ter sido administrado por via venosa e não intramuscular, além de suspeita de volume elevado, cerca de 20 ml. O paciente também passou a apresentar sinais de comprometimento renal, chegando a urinar sangue. "Chegando no hospital daqui [de Tarauacá], um médico tinha informado que tinha sido muita quantidade de liquido injetado nele. Está tudo no prontuário dele", complementou. LEIA TAMBÉM: Adolescente dá entrada em hospital do AC com ferida na perna, morre por infecção generalizada e família alega negligência; Saúde nega MP vai apurar morte de adolescente que teve infecção generalizada após queda de bicicleta no interior do AC Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá e, devido à gravidade, foi transferido via aérea para Cruzeiro do Sul. Ele chegou ao Hospital Regional do Juruá m estado crítico e morreu no dia 22 de março. A causa da morte foi apontada como sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos como rins e fígado. O caso foi registrado na polícia, e a família pede esclarecimentos sobre o ocorrido. Maiko deixou três filhos, de 10 anos, 8 anos e um bebê de um mês, além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. Maiko Oliveira França morreu em Cruzeiro do sul no último domingo (22) Arquivo pessoal Investigações O MP-AC instaurou, na última quinta-feira (26), procedimentos nas áreas criminal e cível para apurar as circunstâncias da morte. Na esfera criminal, o órgão solicitou à Polícia Civil informações sobre a existência de inquérito e, caso não haja, determinou a instauração para investigar possível responsabilidade penal. Já na área cível, o MP requisitou à farmácia dados sobre o funcionamento do estabelecimento, incluindo a identificação de quem aplicou a medicação, o vínculo com a empresa, o responsável técnico e os protocolos adotados para aplicação de injetáveis. "As apurações buscam verificar se foram observadas as normas sanitárias e técnicas aplicáveis à prestação desse tipo de serviço, bem como identificar eventuais irregularidades que possam ter contribuído para o ocorrido", complementou. O CRF-AC também apura as circunstâncias do caso junto aos órgãos de justiça. "Neste momento, é importante agir com responsabilidade, porque as circunstâncias ainda estão sendo apuradas [...] nos solidarizamos com a família e reforçamos nosso compromisso com a segurança da população e com o exercício ético da profissão farmacêutica", informou ao g1 a presidente do centro, Larissa Botelho. VÍDEOS: g1