cover
Tocando Agora:

Ex-marido de PM morta com tiro na cabeça presta depoimento na Polícia Civil e afirma que ela 'nunca pensou em suicídio'

Peritos e investigadores se reúnem nesta quarta (11) para tratar do caso da PM morta com um tiro na cabeça O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santan...

Ex-marido de PM morta com tiro na cabeça presta depoimento na Polícia Civil e afirma que ela 'nunca pensou em suicídio'
Ex-marido de PM morta com tiro na cabeça presta depoimento na Polícia Civil e afirma que ela 'nunca pensou em suicídio' (Foto: Reprodução)

Peritos e investigadores se reúnem nesta quarta (11) para tratar do caso da PM morta com um tiro na cabeça O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana compareceu à Polícia Civil de São Paulo na tarde desta sexta-feira (13) para prestar depoimento. Segundo o advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da soldado e acompanhou o ex, ele afirmou que a soldado “nunca pensou em cometer suicídio”. Também segundo Silva Júnior, o ex-marido era amigo de Gisele, mas que teriam se afastado porque o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, tinha ciúmes. Ele informou também ter medo de Geraldo e estar "bem assustado". O nome do ex-companheiro não foi divulgado pelo advogado como medida de segurança. "Ele [o ex-marido] corroborou que a Gisele jamais cometeria suicídio em função desse amor pela filha, isso ficou bem claro. A filha estava assustada e não queria mais ter contato com o tenente-coronel. A menina reclamava da conduta do coronel para com a Gisele", disse o advogado. E emendou: "Ele falou que a Gisele era uma supermãe, não tinha motivos para se suicidar. Ele mostrou um áudio da preocupação da Gisele um dia antes de falecer, 'Olha, você tomou banho? Está bem?'". Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o atual marido, o tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53, no Brás, Centro da capital. O caso, registrado inicialmente como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita. A hipótese de que a agente da PM se matou não foi descartada totalmente, mas também está sendo apurada a possibilidade de que a mulher possa ter sido vítima de feminicídio (saiba mais abaixo). “O depoimento dele é importante. Eles tinham uma boa relação, e ele vai sustentar que ela nunca demonstrou qualquer indício de tentativa de se matar enquanto estiveram juntos”, disse o advogado. Segundo ele, a filha que o ex-marido teve com Gisele, e que morava com ela, deverá ficar sob a guarda dele agora. O ex também comentou no depoimento que Geraldo não gostava da criança. A equipe de reportagem não conseguiu contato com o ex-marido para comentar o caso. De suicídio a morte suspeita A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto Montagem/g1 Gisele tinha 32 anos. Geraldo tem 53. Foi ele quem deu a versão à Polícia Civil de que a esposa se suicidou e quem telefonou para a PM pedindo ajuda. Segundo o coronel, após uma discussão, o oficial disse que pediu a separação e foi tomar banho. Um minuto depois, Gisele teria pegado sua arma e disparado contra a própria cabeça, pelo lado direito. Isso teria ocorrido sem ele ver. A família da soldado, no entanto, contestou a hipótese de suicídio, apresentou relatos de que Gisele vivia uma relação tóxica com o coronel e pressionou por uma reavaliação do caso. A Polícia Civil então reclassificou o episódio como morte suspeita. A Justiça determinou a redistribuição do caso para a Vara do Júri, por entender que há indícios de crime doloso contra a vida — categoria que inclui feminicídio, por exemplo. Laudos periciais reforçaram as dúvidas sobre a versão inicial. Exames apontaram marcas de unhas e arranhões no pescoço da policial, além de lesões contundentes no rosto e sinais de disparo à queima‑roupa. Além disso, agentes que atenderam a ocorrência estranharam o fato de que a arma que matou Gisele estava ainda na mão dela _algo incomum em casos de suicídio. Outros pontos que levaram dúvidas à investigação sobre a versão de sucídio. O fato de que Geraldo disse que tinha ido tomar banho, mas estava com o corpo seco quando as autoridades chegaram até o apartamento. E de ele ter telefonado para um desembargador amigo, que foi até o local _câmeras do hall do prédio gravaram esse encontro. Depois de conversarem, o coronel tomou banho. Morte de PM em apartamento levanta dúvidas: laudos, câmeras e testemunha contradizem versão de suicídio Por decisão judicial, o corpo chegou a ser exumado para novos exames, justamente porque ainda havia dúvidas sobre as circunstâncias da morte. A investigação não descarta formalmente o suicídio, mas também apura se Gisele foi vítima de feminicídio — hipótese defendida pela família e pelo advogado. “Nós não acreditamos na possibilidade de suicídio. O mais provável é que ela tenha sido assassinada”, afirmou José Miguel. Ele também criticou o andamento do caso: “Não estamos satisfeitos, achamos que está muito lento”. Na avaliação da família e da defesa, a delegacia já teria elementos para pedir a prisão preventiva do coronel. “Existem requisitos para a prisão. Há várias testemunhas que têm pavor dele, houve alteração da cena da morte, o que já é suficiente para pedir a preventiva”, afirmou o advogado. O g1 procurou a defesa de Geraldo, mas não obteve resposta. O tenente-coronel se afastou do trabalho após a morte da esposa. Desde então, só falou uma vez — no registro inicial da ocorrência — e ainda não voltou a depor formalmente na polícia. A investigação também analisa os laudos produzidos pela Polícia Técnico‑Científica. Já estão concluídos: Laudo necroscópico: causa da morte por traumatismo decorrente de disparo encostado do lado direito da cabeça. Também identificou lesões no rosto e pescoço, compatíveis com pressão digital e marcas de unhas, confirmadas no primeiro exame e na exumação. Laudo residuográfico: não detectou pólvora nas mãos do coronel ou de Gisele — o que gera estranheza na hipótese de suicídio. Laudo da trajetória do tiro: de baixo para cima. Ainda estão pendentes de juntada ao inquérito o laudo toxicológico, que determinará se Gisele consumiu alguma substância, e o laudo do local da morte, com registros fotográficos da posição do corpo. Peritos já adiantaram que encontraram marcas de sangue no banheiro, o que também causou estranheza já que Gisele foi encontrada morta em outro cômodo. Paralelamente à apuração da Polícia Civil, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) após receber denúncias anônimas relatando que o casal vivia uma relação marcada por ameaças, perseguição e instabilidade emocional atribuídas ao tenente‑coronel. As investigações continuam em andamento.