Everest das cavernas: conheça complexo de 16 cachoeiras dentro de caverna, em Goiás
Everest das Cavernas: conheça complexo de 16 cachoeiras dentro de caverna, em Goiás A Caverna São Vicente, no Parque Estadual Terra Ronca, a 600 km de Goiân...
Everest das Cavernas: conheça complexo de 16 cachoeiras dentro de caverna, em Goiás A Caverna São Vicente, no Parque Estadual Terra Ronca, a 600 km de Goiânia, é considerada o Everest das cavernas. O local leva o apelido porque possui o rio subterrâneo mais volumoso do Brasil, com uma extensão de 10 km e 16 cachoeiras. O passeio exige curso de rapel e conhecimento de técnicas verticais, como as manobras de ascensão. Em entrevista ao g1, o guia turístico e bombeiro militar Marcelo Peregrino afirmou que o roteiro básico pode ser feito por qualquer pessoa. Essa visitação tem dois rapéis e vai até a terceira cachoeira. Na volta, é possível parar na segunda cachoeira para nadar, fazer fotos e tomar um café feito na hora. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp No roteiro avançado, o visitante precisa ser autônomo em técnicas verticais ou fazer um treinamento no dia anterior ao passeio. O percurso vai até a quinta cachoeira. Conhecida como Iguaçu, a cachoeira tem 15 metros de altura e está a 2 km da entrada da caverna. 🔎Técnicas verticais são procedimentos realizados com o auxílio de cordas para atividades em ambientes de altura. O principal objetivo é permitir a movimentação do esportista em um cenário vertical. Everest das Cavernas: conheça complexo de 16 cachoeiras dentro da Caverna São Vicente, Goiás Arquivo pessoal/Marcelo Peregrino Com uma extensão de 57 mil hectares de Cerrado preservado, o Parque Estadual Terra Ronca é gerido pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e abriga um dos maiores conjuntos de cavernas da América Latina. Experiência A professora da UFG Rosane Garcia Collevatti escolheu a São Vicente motivada pelo desafio, Goiás Arquivo pessoal/Rosane Garcia Collevatti A professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) Rosane Garcia Collevatti, de 57 anos, visitou pela primeira vez a Caverna São Vicente em julho de 2025. Apesar da estreia no local, Rosane já conhecia bem a região: “Eu já fui à Terra Ronca seis vezes. Já fui a todas as cavernas abertas à visitação no parque”, contou. A escolha pela São Vicente, segundo ela, foi motivada pelo desafio. Diferente de outras formações do parque, a travessia conta com descidas e subidas feitas por cordas, além da transposição de cachoeiras no interior da gruta. “A São Vicente tem essa questão especial de ser uma caverna com cachoeiras, que só pode ser percorrida utilizando técnicas verticais, que eu gosto muito de praticar”, afirmou. Rosane destacou que o passeio requer preparo físico e psicológico, já que se trata de uma caverna mais fechada, escura e com trechos técnicos. LEIA TAMBÉM: Caverna símbolo de parque com mais de 300 atrativos naturais passa a ser propriedade de Goiás Cavernas e mais de 300 atrativos naturais: conheça o Parque de Terra Ronca, onde turistas ficaram perdidos em Goiás Caverna em Goiás abriga o maior lago subterrâneo da América Latina 'Ambiente novo e encantador’ A médica paulista Amanda Fernandes Halla, de 35 anos, foi para Terra Ronca em julho de 2024 com outras três amigas. Todas elas são bem ativas e já sabiam que iam encontrar as trilhas com uma dificuldade média, mas foi a primeira vez que a turma fez uma trilha em uma caverna. “Eu sou do tipo que topa tudo, então eu adorei! Nunca tive o desejo de conhecer uma caverna, mas abracei a ideia e foi incrível. As cavernas foram todas novidades porque nunca havia visitado. Muito diferente! Ambiente novo, muito encantador”, destacou. A médica Amanda Fernandes conheceu a caverna São Vicente com mais três amigas, Goiás Arquivo pessoal/Amanda Fernandes AAmanda e as amigas conheceram a caverna até a terceira cachoeira com 2 km de percurso, usaram uma roupa de neoprene para se protegerem da água gelada e fizeram um rapel acompanhadas do guia turístico, Marcelo Peregrino. ‘Espetáculo’ O bancário Bruno Alcantara, de 59 anos, guarda na memória a primeira vez em que entrou na caverna São Vicente. Morador de Carangola (MG), ele decidiu encarar a aventura em 2024. “A caverna é maravilhosa. Um espetáculo. Considerei a mais radical de todas”, afirmou. A visita fazia parte de um roteiro que incluiu as seis cavernas do parque. Apaixonado por turismo de aventura, ele afirmou que esse é seu estilo de viagem preferido. “Quanto mais radical e exótico, melhor”, disse. A viagem começou de avião até Brasília; de lá, ele alugou um carro e percorreu cerca de 400 quilômetros até o parque, enfrentando ainda um trecho de estrada de terra. Dentro da São Vicente, o desafio foi intenso. A travessia incluiu mais de dois quilômetros pelo interior da caverna, com passagens por um rio subterrâneo, corredeiras e cachoeiras. Bruno Alcantara conheceu a Caverna São Vicente em 2024, Goiás Reprodução/Instagram Bruno Alcantara “A gente tem que entrar e atravessar várias vezes, algumas com a água na altura do peito”, contou. A água era fria, mas, segundo ele, a emoção fazia esquecer o desconforto. Sem iluminação natural, o grupo avançava apenas com lanternas presas ao capacete. Para alcançar os trechos mais profundos, foram necessários dois rapéis realizados no escuro. “Rapel dentro de uma caverna, naquela escuridão, e ao lado de cachoeiras. Sensacional!”, relatou. Ele comparou a experiência a um cenário de cinema: “Me senti como um personagem dos filmes ‘Viagem ao Centro da Terra’”. Para Bruno, é difícil destacar apenas um elemento. “É tudo muito diferente”, resumiu. 'Poucas pessoas conhecem' A engenheira ambiental Natalia Leite, de 31 anos, visitou o Parque Estadual de Terra Ronca em Goiás pela primeira vez em setembro de 2024. Ao g1, ela contou que gosta de viajar para lugares em que o turismo massificado ainda não chegou, e Terra Ronca tem essa característica, poucas pessoas conhecem. Acostumada a trilhas e esportes ao ar livre, ela nunca havia entrado em cavernas antes da viagem. A novidade trouxe expectativa e um certo receio. “Eu senti um frio na barriga de não saber como meu corpo reagiria ao ambiente fechado e labiríntico, à escuridão”, relatou. Para se adaptar, começou pela Caverna Angélica, considerada a mais tranquila. “É difícil adentrar uma caverna e sair a mesma pessoa”, disse. A última do roteiro foi a Caverna São Vicente, conhecida pelo grau maior de dificuldade técnica. Natalia contou que o grupo teve uma aula prévia com o guia para aprender os procedimentos com corda, necessários para os rapéis e ascensões. Logo na chegada, uma cobra na entrada chamou a atenção. Segundo ela, a presença do animal serviu para deixar o grupo ainda mais atento. Para a engenheira, parte da emoção esteve justamente no isolamento do ambiente subterrâneo. “É um lugar incomunicável, onde não chega luz, o passeio não é para qualquer pessoa”, avaliou. Terra Ronca: multidimensional Everest das Cavernas: conheça complexo de 16 cachoeiras dentro de caverna, em Goiás Arquivo pessoal/Marcelo Peregrino O Parque Estadual Terra Ronca fica situado às margens da Serra Geral, conhecida com a Tríplice Divisa, que divide três estados: Bahia, Tocantins e Goiás. Por conta disso, o guia turístico Rafael de Oliveira chama o lugar de “terra multidimensional”. Segundo ele, o parque conta com mais de 260 cavernas catalogadas, mas o turismo convencional — ou espeleoturismo — foca em cinco delas abertas à visitação: Terra Ronca I e II, Angélica, São Bernardo e São Mateus. “Essas cavernas oferecem trechos considerados convencionais, ideais para quem está começando a explorar o mundo subterrâneo”, contou. Ao g1, Rafa explicou que a São Vicente é um passeio fora do convencional porque envolve, além da exigência do guia, o conhecimento das técnicas verticais. O guia recomenda que o turista complete primeiro o circuito das cinco cavernas principais antes de se aventurar em trechos mais complexos, como a São Vicente. Essa progressão permite que o visitante se adapte ao ambiente e desenvolva as habilidades necessárias para aproveitar o passeio. Como visitar O valor para a visita nas cavernas do Parque Estadual Terra Ronca fica em torno de R$ 250, a depender de qual roteiro o visitante escolher. A melhor data para visitar é a seca, de maio a outubro. Para os passeios não convencionais, é necessário agendar a visita com bastante antecedência, pois o guia precisa pedir uma autorização para a administração do parque. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás