Em julgamento, pai de Henry diz que suspeita de premeditação da morte do filho por parte de Monique
Em julgamento, pai de Henry diz que suspeita de premeditação da morte do filho por parte de Monique O pai de Henry Borel, Leniel Borel, prestou depoimento nes...
Em julgamento, pai de Henry diz que suspeita de premeditação da morte do filho por parte de Monique O pai de Henry Borel, Leniel Borel, prestou depoimento nesta sexta-feira (29) no Tribunal do Júri que julga Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino de 4 anos. Durante o relato, Leniel relembrou momentos vividos com o filho pouco antes da morte da criança e afirmou ter considerado estranhas algumas atitudes de Monique. Segundo Leniel, em uma das ocasiões em que devolveu Henry à mãe, o menino apresentou comportamento incomum e demonstrou resistência em retornar para casa. O pai relatou que a criança chegou a ter ânsia de vômito e não queria sair de seu colo. De acordo com o depoimento, Henry só aceitou se despedir depois que Monique afirmou que procuraria uma nova residência. Leniel também contou que o filho pediu para ir para a casa da avó, mas que a mãe respondeu que ele teria de ir para o apartamento onde morava com ela. Ao longo do depoimento, Leniel afirmou que, com base em fatos que conheceu posteriormente durante a investigação, passou a acreditar que Monique teria agido de forma premeditada. A declaração levou a juíza Elizabeth Machado Louro a interromper o relato para questionar o pai de Henry, observando que essa suspeita não havia sido mencionada anteriormente por ele em outras oportunidades. O depoimento de Leniel ocorreu após um dia marcado por momentos de tensão no plenário. Horas antes, Monique Medeiros deixou a sessão após relatar mal-estar durante a exibição de fotografias da necropsia de Henry. Já Jairinho deixou o tribunal posteriormente, segundo sua defesa, para receber medicação após também passar mal. Com a saída dos dois réus, nenhum deles acompanhou o depoimento do pai da criança. Leniel relata choque ao ver o filho Justiça retoma julgamento do caso Henry Borel; mãe e padrasto são acusados de tortura e homicídio qualificado Jornal Nacional/ Reprodução Ao relembrar a madrugada de 8 de março de 2021, Leniel Borel contou aos jurados que recebeu uma ligação de Monique Medeiros por volta das 4h20 da manhã, quando seguia para o trabalho em Macaé. Segundo ele, a mãe de Henry informou que o menino estava em parada cardiorrespiratória no Hospital Barra D'Or. Pouco depois, Jairinho também falou ao telefone e pediu que ele fosse até a unidade de saúde. "Vem aqui para o Barra D'Or que o Henry está em parada cardíaca", relatou Leniel, reproduzindo a fala atribuída ao ex-vereador. O pai de Henry afirmou que chegou ao hospital cerca de 20 minutos depois e encontrou médicos tentando reanimar a criança. Emocionado, contou que a cena o marcou profundamente. "Eu vejo meu filho cheio de marcas, deitado na maca, rígido. Eu entreguei ele bem de saúde horas antes. Aquela criança já não era meu filho." Segundo Leniel, naquele primeiro momento Jairinho afirmou que havia acordado após ouvir um barulho e encontrado Henry caído. O pai da criança disse que a explicação apresentada pelo casal chamou sua atenção imediatamente, principalmente pela informação de que Monique teria feito os procedimentos de reanimação enquanto Jairinho dirigia até o hospital. "Eu conhecia a Monique há oito anos e ela nunca fez um curso de primeiro socorro. Qual era o mais lógico? Era o Jairinho, que é médico, fazendo os procedimentos e a Monique dirigindo. Mas não. Isso já me chamou atenção. Ligou o alerta na hora." Durante o depoimento, Leniel também chorou ao comentar os acontecimentos que antecederam a morte do filho e afirmou acreditar que oportunidades de interromper a situação foram perdidas ao longo das semanas anteriores. "Isso me dói, isso me machuca. Tiraram toda possibilidade do Henry se salvar e tiraram a minha oportunidade de salvar meu filho." Leniel foi ouvido após os depoimentos dos peritos Luiz Carlos Leal Prestes e Luiz Airton Saavedra de Paiva. Ambos reafirmaram aos jurados que as lesões encontradas no corpo de Henry são incompatíveis com acidente doméstico e com as manobras de reanimação realizadas no Hospital Barra D'Or. O julgamento prossegue nos próximos dias com novas testemunhas de acusação e defesa antes dos interrogatórios dos réus e dos debates finais entre acusação e defesa. Leniel Borel Henrique Coelho/g1 Rio