Dois dos quatro atendimentos em hospital a jovem grávida que morreu em SC tiveram falhas, aponta laudo
Laudo aponta indícios de negligência em 2 dos 4 atendimentos a jovem grávida em SC O laudo pericial sobre os atendimentos feitos a Maria Luiza Bogo Lopes, de...
Laudo aponta indícios de negligência em 2 dos 4 atendimentos a jovem grávida em SC O laudo pericial sobre os atendimentos feitos a Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, apontaram falhas em duas das quatro vezes que ela procurou o Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A Polícia Civil continua a investigação sobre a morte da jovem e da bebê dela. O Hospital Beatriz Ramos disse por nota que "o caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa" e que "lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família" (leia a íntegra da nota no fim do texto). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Maria Luiza Bogo Lopes tinha 18 anos e estava grávida Reprodução/Redes sociais Falhas ocorreram no segundo e terceiro atendimentos Em março, durante o pré-natal que fazia no posto de saúde do bairro Tapajós, Maria foi diagnosticada com diabetes gestacional. Ela foi encaminhada a uma nutricionista. A consulta seria em 30 de março. Mas Maria não conseguiu ir por causa de um mal-estar. "Ela sentia muita dor no corpo, dor de cabeça, dor nos olhos. Ela estava com muita dor nas costas. Depois, ela começou a apresentar febre", disse Luana Bogo Petry, mãe da paciente. Foi nessa data que Maria procurou o Hospital Beatriz Ramos pela primeira das quatro vezes. Primeiro dia - 30 de março Segundo a família, Maria passou por exames que não detectaram problema algum e ela foi liberada. Segundo dia - 31 de março Nessa segunda ida, Maria foi submetida a exames que apontaram uma redução no número de plaquetas. Segundo a Polícia Científica, este número ainda estava dentro de um padrão adequado. Porém, no caso de Maria, como ela vivia uma gestação de risco, porque tinha sido diagnosticada com diabetes gestacional, já cabia uma internação da paciente, o que não foi feito. A Polícia Científica também apontou que foi nessa segunda ida dela ao hospital que se cogitou a possibilidade de ela ter um quadro de dengue. Contudo, nenhum exame foi feito para diagnóstico exato. Terceiro dia - 1º de abril Nessa ida ao hospital, não foi feito nenhum tipo de exame e a paciente foi liberada para casa mesmo com queixas de dores e cansaço, o que foi considerado como uma falha pela Polícia Científica. Ela procurou o hospital pela manhã e à tarde. Quarto dia - 2 de abril Na manhã do dia 2, a família decide recorrer ao posto de saúde que fazia o pré-natal de Maria. A paciente recebeu soro e foi levada novamente ao Hospital Beatriz Ramos. Maria foi atendida em caráter de urgência e, em menos de uma hora, a família foi informada de que ela estava com um quadro grave de infecção generalizada. A paciente foi transferida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, cidade vizinha a Indaial. A família contou que foi feita uma cesariana de emergência, mas a bebê não sobreviveu. Maria morreu pouco tempo depois. Grávida que morreu após buscar atendimento no hospital 4 vezes teve dengue grave Família de grávida busca respostas: 'Era a luz da minha vida' Equipes médicas devem ser ouvidas pela polícia O laudo da Polícia Civil foi encaminhado ao delegado responsável pelo caso, que agora passa a investigar especificamente esses indícios de negligência. As equipes médicas que fizeram esses atendimentos devem ser ouvidas. O que diz o hospital Confira abaixo a nota completa do Hospital Beatriz Ramos. A Associação Beneficente Hospital Beatriz Ramos informa que, desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos. O caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa, conduzida em conformidade com os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde, respeitando todos os fluxos institucionais aplicáveis. A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, com análise criteriosa e detalhada, incluindo a revisão minuciosa de todo o processo assistencial desde o primeiro atendimento prestado à paciente. O Hospital Beatriz Ramos lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família neste momento de dor. A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade, assegurando que a apuração será conduzida com a máxima seriedade. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias