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Defensoria Pública aciona Justiça contra influenciador após postagens nazistas e racistas com exaltação a Hitler

Defensoria Pública aciona Justiça contra influenciador após postagens nazistas e racistas A Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) acionou a Justiça contr...

Defensoria Pública aciona Justiça contra influenciador após postagens nazistas e racistas com exaltação a Hitler
Defensoria Pública aciona Justiça contra influenciador após postagens nazistas e racistas com exaltação a Hitler (Foto: Reprodução)

Defensoria Pública aciona Justiça contra influenciador após postagens nazistas e racistas A Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) acionou a Justiça contra um influenciador de São Paulo por apologia ao nazismo e incitação à discriminação racial, religiosa e política, além de "incentivo à radicalização de seguidores". Segundo a petição, o produtor de conteúdo exalta figuras "genocidas da história da humanidade" como Adolf Hitler, Heinrich Himmler, Julius Evola e Miguel Serrano. O acusado foi Victor Stavale, conhecido como Vicky Vanilla, que se diz ex-ocultista e católico tradicional. Na ação civil pública, o defensor Kleyner Arley pediu que ele se abstenha de publicar conteúdo nazista, racista, xenofóbico e discriminatório e, ainda, uma indenização de R$ 8 milhões por danos morais coletivos. Procurado, Vicky Vanilla negou ter feito as postagens citadas no processo e disse que elas foram produzidas por hackers (veja resposta ao fim da reportagem). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Em decisão, a Justiça disse, em primeira instância, que "tem plena ciência e concorda com a extrema gravidade dos atos e práticas imputados", mas negou o pedido de decisão liminar e pediu que o réu se manifeste acerca do caso, sob a justificativa de que bloquear o perfil público de uma pessoa nas redes sociais seria "uma restrição severa à liberdade de expressão" (saiba mais abaixo). Na petição, o defensor público afirma que Victor Stavale chegou a publicar que "o nazismo foi o maior projeto de pureza e ordem que o mundo já conheceu" e que "negros são degenerados por natureza, incapazes de criar civilização". Além das postagens ofensivas, conforme a petição, o réu também promove "recrutamento organizado" de seguidores e oferta "aulas gratuitas de nazismo". "Com maior gravidade, chegou a conclamar seus seguidores à violência direta, afirmando: 'chegou a hora de caçar comunistas, negros e judeus, não podemos esperar. Este enunciado, por si só, evidencia o risco social de radicalização e perseguição incentivado por suas palavras", afirma a petição. Ao g1, o defensor responsável pela ação civil pública contou que o caso veio à tona após a publicação de vídeos de outros influenciadores denunciando uma série de manifestações de caráter nazista e racista de Victor Savale. "Fui atrás de provas e entrei com a ação civil pública. Como defensor público, tenho legitimidade para tal", contou. Ele contou, ainda, que após o pedido de liminar, Victor Stavale publicou um vídeo nos stories do Instagram em que faz uma ofensa racista ao deputado estadual pelo Paraná Renato Freitas (PT), um homem negro. Em novembro, o parlamentar trocou socos com um homem e alegou ter agido em legítima defesa após ser alvo de ofensas racistas. "Esse soquinho representou muito. Foi um soquinho bem fraco, tirou só um pouquinho de sangue, poderia ter sido bem pior, eu consigo imaginar coisas bem piores com esses 'chimpas'", diz o réu no vídeo, aparentemente chamando de "chimpanzé" o parlamentar. Victor Stavale, conhecido como Vicky Vanilla, é acusado de apologia ao nazismo e incitação à discriminação racial, religiosa e política Reprodução/Instagram Pedido de urgência Na ação civil pública, Kleyner Arley pede que seja concedida liminar em tutela de urgência para que Victor Stavale: se abstenha de veicular conteúdos de natureza nazista, racista, xenofóbica e discriminatória, em qualquer meio físico ou digital; pague indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 8,8 milhões, "valor simbólico e pedagógico diante da gravidade dos fatos"; remova, de forma definitiva, os conteúdos nazistas das plataformas, sob pena de multa diária; publique a decisão em meios digitais e mídias sociais como forma de reparação simbólica. Em 13 de janeiro, a juíza Kathya Gomes Veloso, da 6ª Vara Cível da Capital, indeferiu o pedido e disse que boa parte das imagens citadas pelo defensor público é de stories do Instagram, que desaparecem após 24 horas, o que dificulta a aferição da regularidade da publicação. Disse, ainda, que o pedido de bloqueio integral do perfil público de uma pessoa em redes sociais "configura restrição severa à liberdade de expressão e comunicação, devendo ser realizada com extrema razoabilidade e estritamente dentro dos limites da lei e da jurisprudência superior". A juíza determina que Victor Stavale se manifeste em até 15 dias úteis. "O processo segue do mesmo jeito. A juíza, por cautela, queria dar a oportunidade dele se manifestar, mas ela mesma, na decisão, diz que percebeu a gravidade do que foi colocado, mas é uma questão de cautela. A qualquer momento, ela mesma pode decretar. [...] Se ele não se manifestar, é considerado revel (presunção relativa de veracidade dos fatos) e o processo segue sem a participação dele", explicou o defensor público. O que diz o réu Procurado pelo g1, Victor Stavale disse que um dos influenciadores que denunciaram as postagens ofensivas quer usá-lo de plataforma de ataque contra inimigos políticos, afirmou ter sido hackeado e citou o processo como perseguição ideológica e teológica de grupos "ligados ao satanismo e luciferianismo". "As ditas provas são textos e vídeos editados, inclusive por hackers que invadiram minhas plataformas enquanto eu morava fora, na Europa. Também tem motivações da esquerda e de grupos progressistas, ligados às minhas velhas crenças ocultistas, que, uma vez que as abandonei, e, devido à minha conversão à fé católica há mais de um ano, ainda me perseguem", declarou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias