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Conjunto habitacional da Prefeitura de SP tem obras paradas há mais de 1 ano e gasto de R$ 3,4 milhões com auxílio

Conjunto Forte do Rio Negro, na Zona Leste de São Paulo, tem obras paradas há mais de 1 ano Reprodução/Cohab-SP Um conjunto habitacional da prefeitura está...

Conjunto habitacional da Prefeitura de SP tem obras paradas há mais de 1 ano e gasto de R$ 3,4 milhões com auxílio
Conjunto habitacional da Prefeitura de SP tem obras paradas há mais de 1 ano e gasto de R$ 3,4 milhões com auxílio (Foto: Reprodução)

Conjunto Forte do Rio Negro, na Zona Leste de São Paulo, tem obras paradas há mais de 1 ano Reprodução/Cohab-SP Um conjunto habitacional da prefeitura está com obras paradas há mais de um ano em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, após a construtora responsável entrar em recuperação judicial e abandonar o projeto. Prometido para o início de 2024 e marcado por sucessivos atrasos, o empreendimento Forte do Rio Negro já custou R$ 104 milhões ao município, mas ainda não tem data de inauguração. O condomínio com seis torres residenciais na Avenida Ragueb Chohfi, perto da Linha 15-Prata do monotrilho, terá 600 unidades de até 50 m². Enquanto espera, a maioria dos futuros moradores recebe da prefeitura um auxílio aluguel de R$ 600 mensais, valor considerado insuficiente para alugar um apartamento na região. O custo anual do benefício está na casa dos R$ 3,4 milhões para atender 480 famílias. São Paulo tem mais de 343 mil pessoas na fila por moradia O empreendimento faz parte do programa Pode Entrar, principal bandeira da gestão Ricardo Nunes (MDB) para a habitação. O contrato assinado em 2022 foi prorrogado quatro vezes até ser rescindido, em junho passado, meses após a interrupção dos trabalhos. Na ocasião, a prefeitura aplicou uma multa de R$ 5 milhões à empresa Múltipla Engenharia. A obra já estava em estágio avançado, com execução na casa dos 92%, mas relatórios de vistoria produzidos após a paralisação identificaram a necessidade de gastos adicionais de no mínimo R$ 3,5 milhões apenas para refazer serviços já pagos. Esse "retrabalho" é necessário por causa de reforços estruturais feitos nas alvenarias após o término do acabamento, o que resultou na perfuração de paredes, remoção de azulejos e forros de gesso quebrados em unidades que já estavam prontas. O período prolongado de abandono e falta de vigilância — que a construtora encerrou formalmente em junho de 2025 — agravou a deterioração. 👉 A fiscalização encontrou apartamentos com janelas de vidro estilhaçadas, portas de madeira estufadas, forros de banheiro mofados e fiação elétrica exposta. Em várias unidades, constatou-se a ausência de itens essenciais como pias, tanques, torneiras e tampos de quadros elétricos, possivelmente furtados. Escadas danificadas e janelas quebradas são algumas das avarias encontradas no conjunto Forte do Rio Negro, abandonado há mais de 1 ano Reprodução/Cohab-SP Em janeiro de 2025, logo antes da paralisação, o secretário municipal de habitação Sidney Cruz esteve no canteiro e ressaltou que as obras avançavam "no ritmo do nosso prefeito". Ele também exaltou a qualidade do padrão construtivo do projeto e chamou o Pode Entrar de "maior programa de habitação da história da cidade de São Paulo". Atualmente, o terreno está cercado por tapumes e não tem sequer placa de identificação. Documentos entregues em 2024 Os documentos que garantem moradia subsidiada às famílias foram entregues em junho de 2024. Na ocasião, conforme notícia publicada no site da prefeitura, o prefeito Ricardo Nunes falou em "corrida contra o tempo" para transformar o sonho da casa própria em realidade e prometeu a entrega dos apartamentos para aquele ano. "Vocês vão poder passar o réveillon na casa de vocês", declarou Nunes, faltando três meses para a eleição. O entusiasmo, porém, logo deu lugar à desilusão. Uma moradora relatou ter feito compras grandes de mantimentos para passar o Natal na casa nova, mas teve os planos frustrados por dois anos seguidos, impedindo também a matrícula da filha em uma escola técnica próxima ao novo endereço. Ela disse que está com a vida "parada no tempo" e que se não recebesse apoio do ex-marido, que a abrigou com a filha adolescente, estaria em situação de rua. Outra situação de precariedade relatada ao g1 é de uma família de seis pessoas — incluindo três adolescentes e uma idosa acamada — que divide uma casa de apenas 48 metros quadrados enquanto aguarda o apartamento. Removida de uma ocupação vizinha em 2018 com a promessa de moradia regularizada, a beneficiária vive no improviso há três anos. Ela chegou a alugar uma garagem para guardar seus móveis, mas perdeu todo o patrimônio devido a enchentes. A renda familiar, de aproximadamente R$ 2 mil, é quase toda consumida por contas básicas. Mesmo depois de assinar os termos de vinculação com a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), os beneficiários ouvidos pelo g1 preferiram não se identificar por medo de serem prejudicados e perderem o direito à moradia. Caso não é isolado O caso do Forte do Rio Negro não é isolado na modalidade "Empresas" do programa Pode Entrar — em que o poder público assume os custos, enquanto a iniciativa privada fica responsável pela execução. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou que 80% dos empreendimentos oriundos dos chamamentos de 2014 — o mesmo grupo deste projeto — não haviam sido contratados após uma década, devido a invasões de terrenos e inércia administrativa. Além disso, outros condomínios de moradia social contratados na modalidade também estão atrasados. É o caso dos conjuntos Bauru e Lajeado, que juntos terão 968 unidades. Ambos ficam na região de Guaianases, na Zona Leste, e tinham prazo inicial de entrega em 2024. Segundo a prefeitura, a inauguração está prevista para este mês, após ajustes motivados por pendências relacionadas à Enel, Sabesp e montagem dos elevadores. O que diz a Prefeitura de SP Questionada sobre novo prazo para entrega do conjunto Forte do Rio Negro, a gestão Ricardo Nunes respondeu que "equipes técnicas realizam vistorias e análises da obra para definir a necessidade de eventuais intervenções corretivas ou recomposições de serviços". A prefeitura não informou quando vai abrir licitação para contratar uma nova empreiteira para finalizar o serviço. A nota também disse que "as providências cabíveis" estão sendo adotadas para cobrar a multa aplicada à Múltipla Engenharia e para reaver cerca de R$ 1 milhão que foram pagos, mas não executados. Ainda segundo a prefeitura, o programa Pode Entrar segue em "plena expansão", com 18 mil moradias entregues desde 2021 e 43 mil unidades em construção. Pela modalidade Empresas/Entidades, estão em obras 5,9 mil moradias, com 778 já entregues.