Caso Araceli: 'Tentaram culpar meus pais, e nossa família se desfez', diz irmão ao relembrar crime impune há quase 53 anos
Absolvido por assassinato de Araceli é encontrado morto; relembre o caso "Tentaram culpar meus pais, levantaram mentiras sobre minha mãe e aquilo acabou com a...
Absolvido por assassinato de Araceli é encontrado morto; relembre o caso "Tentaram culpar meus pais, levantaram mentiras sobre minha mãe e aquilo acabou com a nossa família". É assim que Carlos Cabrera Crespo resume a dor familiar que se sucedeu após o assassinato da irmã, Araceli Cabrera Crespo, morta aos 8 anos em um dos crimes contra criança mais emblemáticos do país. Para ele, além da violência contra a menina, houve também julgamentos que terminou com a separação dos pais. Muitas pessoas chegaram a culpá-los pelo ocorrido. Fora isso, o julgamento do caso na Justiça também foi alvo de muitas críticas pela forma como foi conduzido. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Em entrevista ao g1, Carlos contou que, meses antes do crime, ocorrido em 1973, a família havia se mudado para o Bairro de Fátima, na Serra, Grande Vitória, quando Araceli desapareceu. O caso voltou a ser lembrado nesta semana, após um dos absolvidos pelo assassinato da menina ter sido encontrado morto. Dante de Brito Michelini foi encontrado decapitado e carbonizado em um sítio em Meaípe, em Guarapari , na última terça-feira (3). Dante foi um dos acusados e, posteriormente, absolvido. Na época, a justiça chegou a condenar Dante, eu pai, Dante Barros Michelini, e um amigo de Dantinho, Paulo Helal. Depois, o primeiro julgamento foi cancelado e, no segundo, arquivou o caso por falta de provas. Irmão de Araceli, Carlos Cabrera Crespo, em entrevista ao g1 Espírito Santo Reprodução/ g1 MAIS SOBRE O CASO: Após morte brutal de absolvido pela morte da menina Araceli, irmão relembra crime no ES, há 53 anos: 'Mal investigado' Araceli vive na memória de irmão: 'Todos os dias da vida, lembro dela' Relembre o caso Araceli: história da criança que foi raptada, drogada, estuprada e morta ainda é cercada de mistérios Cinco décadas após morte de Araceli, tecnologia poderia dar novo desfecho ao crime Família de Araceli precisou viver luto com suspeitas Os pais de Araceli eram imigrantes: o pai era espanhol, e a mãe, boliviana. Segundo o filho, eles tinham pouca escolaridade. "Meu pai saía de madrugada e voltava de noite. Tudo que conquistou foi trabalhando. E, mesmo assim, transformaram minha mãe em suspeita", disse. Reportagem sobre o caso Araceli, no Espírito Santo CEDOC/ A Gazeta Sem estrutura e sem parentes próximos no Brasil, os pais passaram a enfrentar não só a perda da filha, mas também boatos publicados sem comprovação. Carlos lembrou que a mãe chegou a ser acusada de envolvimento com tráfico de drogas, algo que nunca foi provado. “Nunca acharam nada na nossa casa. Nada! Mas escreveram o que quiseram. E a gente não tinha como se defender. Minha mãe ficou muito abalada com tudo. Pouco tempo depois, meus pais se separaram. Nossa família se desfez ali". Após a separação, a mãe Lola Cabrera voltou para Bolívia, onde se casou e teve duas filhas. Já o pai, Gabriel Sanchez Crespo, casou com uma brasileira e teve dois filhos, um homem e uma mulher. Pai de Araceli reconheceu o corpo encontrado, no Espírito Santo CEDOC/ A Gazeta Araceli virou símbolo de luta Há mais de duas décadas, Carlos vive em Toronto, no Canadá, mas segue acompanhando as notícias do Brasil e as homenagens feitas à irmã, cujo nome se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantil. “É importante lembrar, sim. Mas o que mais dói é ver que a violência continua". A data de 18 de maio, quando Araceli foi assassinada, foi instituída como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Coincidência marca a vida da família Antes de encerrar a entrevista, Carlos compartilhou um detalhe que considera simbólico: "Minha neta nasceu dia 19 de maio. Minha irmã desapareceu no dia 18. Parece coisa de Deus". Morte de Dante A causa da morte de Dante de Brito Michelini ainda está sendo investigada e é tratada como homicídio pela Polícia Civil. A cabeça não havia sido localizada até a última atualização da reportagem. Por meio do advogado, a família de Dante Brito Michelini disse que não irá se manifestar. Ele era membro de uma das mais tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo. Inclusive, o avô dele, de mesmo nome, Dante Michelini, dá nome a uma das principais avenidas de Vitória. Ao longo dos anos, a família se recusou a falar sobre o assunto com a imprensa diversas vezes. Em um raro registro, o pai dele, Dante de Barros Michelini, falou em 1993 da sua versão da razão pela qual seu nome e de seu filho foram ligados ao caso Araceli. "Nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai, nem coisa nenhuma. Fomos ligados ao caso após uma notícia de um jornal local", falou, na época. (assista abaixo) Dante Michelini nega envolvimento com a morte de Araceli Dante foi um dos três principais acusados pela morte de Araceli. A menina tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória, em 1973. Em 1980, Dante de Brito Michelini chegou a ser condenado, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Após nova análise do processo, que se estendeu por cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O crime acabou sendo arquivado e nunca teve responsáveis punidos. Reportagens sobre o caso Araceli, no Espírito Santo CEDOC/ A Gazeta Em memória à menina Araceli, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000. Todos os anos, nesta data, a impunidade sobre a morte de Araceli é lembrada e diversas atividades para discutir o tema são realizadas no Brasil. Caso Araceli Reprodução/TV Gazeta Caso Araceli Reprodução/TV Gazeta VÍDEOS: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo